quarta-feira, 25 de julho de 2018

My Journey

All my dreams are just some fragile things
That people wish and I don't think they'll care in my wake
'Cause I've been falling for days
To the sea, to the sea, yeah
Tried to breathe but I've been drowning in waves
Of jealously and anyone could see that I'm lost
Through the seas I've been tossed
And I'm not free, I'm not free, yeah
So I open my eyes
And I fall through the sky
While the day turns to night
I have burned for my love
Flown too close to the sun
Falling like icarus
Now the damage is done
I have burned for my love
I'm on the ground and if you ask why I don't
Come around, it's because I can't bare the weight
And I guess I'm afraid
Of going down, going down, down
In your face, a silhouette of me and I won't
Leave a trace, I know I know so far I can fall
'Til there's nothing at all
But your face, your face
So I open my eyes
And I fall through the sky
While the day turns to night
I have burned for my love
Flown too close to the sun
Falling like icarus
Now the damage is done
I have burned for my love

Music IKARUS

IKARUS

quinta-feira, 21 de julho de 2016

9-9-2011

os teus olhos não estavam lá 
quando o café da manhã 
bordou a toalha da mesa 
e o branco das flores 
dava mais luz aos eucaliptos. 

...não era a escova de 
dentes, era uma faca 
perfurando quando me 
a entregas-te antes de 
sairmos, esta manhã 

...bom dia Sol, 
continuas lindo 
mas sinto-te a falta 
de um raio. 

...hoje o andar 
não tem o teu caminho. 

...desejo-te 
em ternura 
tenha ela 
a suavidade 
ou a violência 
que tiver. 

...descalços 
sobre as pedras 
meus pés 
não te encontram 
o caminho 
e gostavam 
gostavam muito.

 ...não queria 
ser mais um 
destes tantos 
queria se-lo contigo. 

Escritos numa parede em Cascais:
 -quando se toca a infância queima. 
-azul cobalto para os anjos. 
-ofereço-te um lírio. 
-num tempo sentido em seda. 

...na areia 
desenho 
o vazio de todo o pé 
ao passear-me 
sem Ti. 

os barcos vestem 
o nevoeiro da manhã 
o mar suavisa se 
beijando sereno 
areia de pouca praia 
os olhos correm-me 
a baia de cascais 
nunca a tinha olhado
 sem horizonte 

não aconchega 
o som do farol
 difundindo o perigo 
a utilidade da viagem 
quebrando a melodia 
deste silêncio 
o sino badala dez horas 
contigo-sem Ti 
de onde vem tanta 
Sensibilidade do coração? 
do cérebro? 
talvez do estomago 
que se sente apertadinho 
como se amedrontado 

...saído do paredão 
volto a nudez dos pés 
à viagem 
sós ou acompanhados 
estamos sempre 
na grande viagem. 

10 horas 
9-9-2011 
paredão da baía de cascais 
com nevoeiro 
vitor pi

domingo, 9 de setembro de 2012

Eu


Anjos de terra Anjos, existem anjos? Volúveis seres Que são um instante de voluptuosa brisa Em que o tempo é a forma do desejo E do sono das folhas e das águas- Anjos, sim, de terra, que segredam A argila dos nomes, o movimento azul Do ar. Na sua companhia eu sou o vento E o meu hálito confunde-se com as suas vozes. António Ramos Rosa, in “O Não e o Sim” (1990), Antologia Poética

sábado, 8 de setembro de 2012

O Aprendiz Secreto

Ao fim de cada construção diária, ao crepúsculo, o construtor sobe a uma torre de pedra para meditar um pouco. A plenitude da tranquilidade é perfeita nos campos fulvos e ondulados em redor, cobertos de ervas altas, de flores e arbustos e marginados por um riacho sob a penumbra verde de um arqueado tecto de folhagem. Dir-se-ia que o olhar do construtor encontrou o ser em extensão, o ser que se oferece, no seu mutismo eloquente, e ao mesmo tempo se guarda no mesmo espaço do seu tranquilo esplendor. A meditação não é mais do que a contemplação de uma matéria que contém em si o excesso da sua energia calma e a densidade materna que envolve todas as interrogações e torna supérfluo e intruso o pensamento. Por isso o construtor se integra na paisagem e, reflectindo-a, não a elabora nem a altera. Toda a sua vida está intacta e plenamente segura na indistinção entre o seu íntimo e a túmida e fresca serenidade da paisagem que o envolve. A realidade exterior passou a ser a matéria mais íntima e mais pura da relação total e, inversamente, o contemplador converteu-se num elemento da paisagem que a partir dela própria a vê e nela se vê. Esta circularidade é a mais harmoniosa manifestação do uno e o alvo da construção será criar o espaço mais propício à sua tranquila fulguração. Não há segredo mais supremo nem mais simples do que esta relação vital entre o corpo e o espaço, entre o alento e a paisagem, entre o olhar e o ser.

António Ramos Rosa, in O Aprendiz Secreto (2001)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Espera

És tu a minha espera nas noites frias,ávida fonte em meus lábios.És tu o ramo de árvore,sombra,claridade das manhãs,horizontes do mar onde mergulho. És tu a minha espera,nas noites frias do caminho percorrido deste lençol que se desdobra,arrancado ao corpo nu pelos ventos irados.Vem, do interior azul da escuridão:tecerei com teus cabelos o manto dos mantos a noite alumiada de todas as noites onde a vida vence.