domingo, 9 de setembro de 2012

Eu


Anjos de terra Anjos, existem anjos? Volúveis seres Que são um instante de voluptuosa brisa Em que o tempo é a forma do desejo E do sono das folhas e das águas- Anjos, sim, de terra, que segredam A argila dos nomes, o movimento azul Do ar. Na sua companhia eu sou o vento E o meu hálito confunde-se com as suas vozes. António Ramos Rosa, in “O Não e o Sim” (1990), Antologia Poética